sexta-feira, 29 de maio de 2009

Nota da Eletronuclear Sobre Acidente em Angra 2





A Comissão Nacional de Energia Nuclear – Cnen, esclarece que no último dia 15 de maio foi identificado por nossos inspetores residentes, que acompanham diariamente a operação da Usina de Angra 2, o uso inadequado de um procedimento de manutenção de um equipamento no edifício auxiliar (UKA) de Angra 2.

O referido incidente não trouxe conseqüência à população e meio ambiente da região. A Cnen esclarece que comunicou o evento a Prefeitura e a Defesa Civil de Angra dos Reis como acordado com estes órgãos.

Quatro trabalhadores foram contaminados em níveis abaixo de 0,1% dos limites estabelecidos em norma para os trabalhadores. A equipe de proteção radiológica iniciou os trabalhos de descontaminação (como por exemplo: lavagem do corpo, das mãos e uniforme). Em seguida, os trabalhadores passaram pelos portais da área controlada da usina e nenhum alarme foi acionado, ou seja, confirmando-se que a contaminação havia sido removida.

Complementarmente, os especialistas da área de Proteção Radiológica, encaminharam estes trabalhadores para o Centro das Radiações Ionizantes de Mambucaba para exames adicionais. Estes exames confirmaram não haver nenhuma contaminação, garantindo, desta forma, a segurança dos trabalhadores ocupacionalmente expostos. Cabe lembrar que os níveis de radiação a que os trabalhadores foram submetidos estão em cerca de 0,1% do que estipula a norma 3.01 da Cnen.

A liberação ao meio ambiente foi de cerca de 0,2% dos limites estabelecidos pela Cnen. Portanto, não significativa. Logo, o sistema de filtragem de ar que tem como função bloquear a saída de radionuclídeos através da chaminé funcionou adequadamente.

Convém destacar que este evento não usual (ENU) ocorreu dentro do edifício auxiliar de Angra 2, e não no prédio do reator.

Este evento é classificado na escala internacional de eventos nucleares (Ines) da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) como nível 1 (anomalia ou desvio operacional) numa escala que vai de zero até o nível 7.”


Fonte: JC e-mail 3770, de 27 de Maio de 2009

Acidente em Angra 2

Acidente Radioativo na Usina de Angra 2
Contaminou Quatro Funcionários


Problema ocorreu no dia 15, mas só foi divulgado ontem pela Eletronuclear


Carla Rocha e Tulio Brandão escrevem para “O Globo”


Um acidente com material radioativo na Usina de Angra 2, que aconteceu há 11 dias, só foi informado oficialmente nesta terça-feira pela Eletronuclear — empresa que fornece eletricidade gerada a partir de energia nuclear. No dia 15, durante a manutenção de um equipamento — não especificado — quatro funcionários foram contaminados. Eles tiveram que passar por um processo de descontaminação. A causa do acidente teria sido falha humana, levando inclusive ao afastamento de um dos empregados.

A Eletronuclear, de início, falava na contaminação de três pessoas. À tarde, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) divulgou que, na verdade, quatro funcionários haviam sido contaminados em níveis abaixo de 0,1% dos limites estabelecidos pela norma 3.01 da Cnen.

A própria equipe de proteção radiológica da Eletronuclear iniciou a descontaminação, com lavagem do corpo e de uniformes. Em seguida, os funcionários passaram pelos portais da área controlada da usina e nenhum alarme foi acionado, o que confirmaria que a contaminação havia sido removida.

Cnen Diz que Não Houve Danos à Saúde de Funcionários

Apesar disso, eles foram levados para o Centro das Radiações Ionizantes de Mambucaba para exames adicionais, que garantiram não ter havido danos maiores à saúde dos trabalhadores.

De acordo com a Cnen, a liberação no meio ambiente foi de cerca de 0,2% dos limites estabelecidos, graças ao sistema de filtragem de ar que tem como função bloquear a saída de radionuclídeos pela chaminé.

O acidente, classificado de evento não-usual, aconteceu no edifício auxiliar de Angra 2 e não no prédio do reator. Numa escala de zero a 7 da Agência Internacional de Energia Atômica, foi considerado de nível 1 (anomalia ou desvio operacional).

O subsecretário de Defesa Civil de Angra, José Carlos Lucas Costa, afirmou ter sido informado apenas de que não havia risco para a população e para o meio ambiente.

-- Tomei conhecimento pela imprensa. Apenas soube que um funcionário da Eletronuclear estava fazendo manutenção na chaminé da usina e, ao esmerilhar alguma coisa, a limalha de ferro voou e bateu no detector de radiação, disparando o alarme. Mas que não tinha sido nada grave.

O diretor da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, disse que, aparentemente, o acidente não teve consequência grave, mas criticou o fato de a Eletronuclear ter levado tanto tempo para divulgá-lo.

-- Por que só fomos informados onze dias depois? Que equipamento? Que nível de radiação? Acho que a nota divulgada foi muito sumária.

Nadia Valverde, coordenadora da ONG Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sapê), teve acesso às informações apenas depois de contatar a Defesa Civil de Angra, segunda-feira.

-- A principal questão nessa história é a falta de transparência da Eletronuclear. Dez dias depois do evento, a população de Angra só ficou sabendo por causa das ONGs e da imprensa.

O diretor de campanhas do Greenpeace, Sérgio Leitão, disse que “o acidente em Angra 2 serve para ilustrar a incoerência de se ter no Brasil um mesmo órgão (a Cnen) responsável pela promoção e fiscalização da energia nuclear no país”. E lamentou a demora na divulgação: “É a prova clara de que o setor nuclear no Brasil é cercado de mistério, graças à sua herança militar.”(O Globo, 27/5)


Fonte: Jornal “O GLOBO” de 27/05/2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Programa do Submarino Nuclear Brasileiro

Segue abaixo uma matéria publicada no site do Jornal da Ciência da SBPC em 25/05/2009 sobre o programa do Submarino Nuclear da Marinha.

Duda Falcão


Construção de Submarinos Consumirá R$ 17,6 Bilhões


25/05/2009



Plano do Acordo Brasil-França Prevê Construção do Casco do 1.º Nuclear


O comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Mora Neto, informou na sexta-feira, dia 22, que o pacote de construção de quatro novos submarinos convencionais (o que inclui um novo estaleiro e uma nova base) e do casco do primeiro submarino nuclear brasileiro vai consumir R$ 17,6 bilhões.

Este é o valor do financiamento, previsto no acordo assinado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, que o Brasil negocia na França. O pacote integra o acordo de cooperação militar firmado entre os dois países no ano passado - os submarinos convencionais serão adaptados do modelo francês Scorpène.

Como o Estado informou no domingo, dia 17, a Força já encontrou na Baía de Sepetiba, no litoral Sul do Rio, o terreno para o novo complexo naval, mas o início da obra depende da liberação do financiamento. Os trabalhos ficarão a cargo de um consórcio formado pela estatal francesa DCNS e a brasileira Odebrecht.

O comandante da Marinha espera que o acordo com o consórcio de bancos estrangeiros liderado pelo francês BNP Paribas, uma das maiores instituições financeiras da Europa, esteja concluído até o dia 7 de setembro, quando Sarkozy voltará ao Brasil para as comemorações da Independência no Ano da França no Brasil.

É o que falta para a validação do convênio e a largada para a construção do submarino nuclear, que poderá sair do estaleiro em 12 anos.

"O acordo estratégico só entra em vigor quando houver dinheiro", disse o comandante, depois de dar uma palestra num evento da Confederação Nacional de Jovens Empresários na Associação Comercial do Rio.

Apesar de o convênio ter sido assinado em dezembro, ele atribui a demora aos trâmites normais. Ainda estão em discussão detalhes do financiamento, como a forma de pagamento. O Brasil pode ter uma carência de cinco anos para começar a pagar o empréstimo num prazo de 15 anos. "É mais ou menos isso, mas ainda é um dos pontos que estamos discutindo", afirmou.

O comandante da Marinha também estimou o volume de recursos necessários para concluir os testes do reator nuclear e a finalização da planta industrial que vai completar o ciclo de enriquecimento e conversão do urânio e obtenção do combustível nuclear, tecnologias que a Força já domina.

Segundo Moura Neto, é preciso investir mais R$ 1,04 bilhão nessa vertente do projeto, cerca de R$ 130 milhões por ano, até 2014. Desde 1979, entre atrasos e cortes de verba, o programa nuclear brasileiro já consumiu US$ 1,2 bilhão.

Estratégia

Os R$ 17,6 bilhões da construção dos submarinos são apenas parte da conta de R$ 23,4 bilhões que Moura Neto deixará na mesa do ministro da Defesa, Nelson Jobim, até o próximo dia 29. É quando termina o prazo para que os três comandantes militares entreguem o inventário de projetos para reequipar as Forças Armadas, seguindo as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, traçada em 2008.

No caso da Marinha, a cifra citada por Moura Neto estima apenas os investimentos da primeira etapa, entre 2009 e 2014. O plano de reaparelhamento da Marinha listará metas até 2031, como a nacionalização da construção de navios de guerra e o desenvolvimento de um míssil nacional.(Alexandre Rodrigues)

Programa Nuclear Prevê Três Submarinos

O programa do submarino nuclear prevê uma frota mínima de três navios a longo prazo – a meta de referência é o ano 2035, segundo oficiais da Marinha ouvidos ontem pelo Estado. A previsão é de que a primeira unidade entre em operação por volta de 2020. O empreendimento recebe R$ 130 milhões ao ano.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, acha o projeto “essencial à garantia da riqueza nacional que se encontra no Atlântico”. Para ele, “não é possível pensar em proteção exclusivamente com navios de superfície, plataformas de fácil localização”. Jobim lembra que, antes da embarcação de propulsão nuclear, “serão construídos quatro submarinos convencionais, de diesel-elétricos”.

A frota nuclear será formada por navios de 96 metros, 4 mil toneladas de deslocamento submerso e 17,8 metros de altura máxima – o equivalente a um prédio de sete andares, no ponto onde fica a vela, a torre que abriga antenas e os sistemas óticos; o periscópio, por exemplo.

Para os engenheiros navais brasileiros, trata-se de aprender todo um novo conceito, a começar do desenho. O quadro de bordo do submarino nuclear será formado por 100 tripulantes, acomodados em um tubo de aço de 9,80 metros de diâmetro. Dentro dele dividirão o limitado espaço com equipamentos e os sistemas – rede elétrica, condutos hidráulicos, computadores, torpedos, mísseis e, claro, um reator nuclear ativo.

O tempo de permanência sob a água é indefinido, calculado em ciclos de 30 dias. Para reduzir o estresse de corrente do confinamento, os especialistas procuram dar ao arranjo interno do navio referências da dimensão humana. Não significa muito.

Na embarcação especificada pela Marinha, o efeito será percebido nos beliches, levemente mais amplos que o modelo adotado nos submarinos convencionais, menores e mais leves, ou no refeitório, também usado como cinema. Outro cuidado: cardápio variado, comida saborosa e de qualidade, servida dia e noite.

O submarino atômico implica segredos. Um deles, ligado ao projeto, é o da tecnologia do eixo que leva movimento às hélices. O problema é limitar ruído e vibração. Empregando um conceito derivado da construção de ultracentrífugas nacionais, empregadas no enriquecimento do urânio usado como combustível de reatores, o eixo de 80 metros será magnético, funcionando sem barulho nem atrito.(Roberto Godoy) (O Estado de SP, 23/5)


Fonte: JC e-mail 3768, de 25 de Maio de 2009

Comentário: Hummm, teremos de aguardar pra vê. Não sei não, isso esta me parecendo um programa megalomaníaco. Vamos aguardar.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Desenvolvimento de Novos Conceitos em Reatores Nucleares


Segue abaixo uma matéria publicada no site do JB Online em 10/02/2009 sobre o desenvolvimento no Brasil de novos conceitos de Reatores Nucleares.

Duda Falcão


Instituto Estuda Novos Conceitos de Reatores Nucleares


JB Online
12:59 - 10/02/2009



BRASÍLIA - O Brasil tem uma das maiores reservas mundiais de urânio e detém a cobiçada tecnologia para seu enriquecimento. Mas para viabilizar um futuro promissor de energia abundante e limpa é necessário um esforço continuado de pesquisa e desenvolvimento, capaz de superar desafios econômicos e de aceitação pública da energia nuclear. Ao mesmo tempo será preciso investir fortemente na formação de recursos humanos.

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Reatores Nucleares Inovadores surge em resposta a estas questões, agregando os esforços de nossos cientistas, para oferecer à sociedade pesquisa de alta qualidade sobre novos conceitos de reatores nucleares.

- O futuro da engenharia nuclear do País nunca dependeu tanto disso - afirma o professor Aquilino Senra Martinez, que lidera uma equipe de 48 profissionais, todos brasileiros, pertencentes às instituições que desenvolvem atividades de pesquisa em reatores nucleares de potência. A sede do Instituto funciona na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ao longo dos próximos três anos, pesquisadores e estudantes de pós-graduação e técnicos de apoio, totalizando mais de 100 profissionais, trabalharão na busca de geração de energia, com enfoque na energia elétrica.

Martinez lembra que o Brasil precisa de energia para seu desenvolvimento, mas que para o aumento da produção, se mantida a atual estrutura da matriz energética nacional, gerará forte impacto nas questões de recursos hídricos, do uso da terra e da preservação do meio ambiente.

Em nível mundial, outra questão que preocupa o pesquisador diz respeito ao aumento das emissões de gases de efeito estufa resultantes da queima de combustíveis fósseis e suas consequências climáticas.

- A produção de energia elétrica por meio de usinas nucleares não contribui para o aquecimento global - observa Martinez.

Para isso, acrescenta, esforços consideráveis vêm sendo feitos para viabilizar a chamada "economia do hidrogênio", que busca substituir a queima de combustíveis fósseis pela utilização de hidrogênio em células de combustível, inclusive para uso em veículos automotores.

- Como o hidrogênio não é uma fonte primária de energia, uma das opções consideradas promissoras para produzi-lo envolve a associação de usinas nucleares com fábricas para produção de hidrogênio - explica.

Martinez acredita que com um esforço coordenado de 10 anos contínuos teremos uma área de C&T em Reatores Nucleares bem consolidada. "Há no País uma capacidade instalada nas universidades e nos institutos de pesquisa na área de tecnologia nuclear que é reconhecida internacionalmente.

Apenas para exemplificar, o Brasil é um dos nove países do mundo que dominam integralmente o ciclo do combustível nuclear, nele incluído o enriquecimento do urânio. Esse domínio é resultado da competência dos cientistas que atuam em pesquisa e desenvolvimento do setor nuclear", diz.

No entendimento do coordenador, a maior importância do Instituto refere-se ao aspecto estratégico do desenvolvimento autônomo da tecnologia nuclear do País. Para ele, no setor da energia nuclear a tecnologia não é transferida pelos países que a detêm, sendo necessário a ampliação em escala nacional do conhecimento e domínio da tecnologia de reatores avançados.

- Ou seja, devemos estar preparados para superar gargalos tecnológicos que possam dificultar o incremento do setor nuclear civil - diz Martinez.

Ele também ressalta que as atividades do Instituto serão sentidas no médio prazo, quando a tecnologia começar a ser transferida para o setor produtivo. Segundo Martinez, trabalham no desenvolvimento de tecnologias inovadoras de reatores nucleares pesquisadores das universidades Federais do Rio de Janeiro (UFRJ), de Minas Gerais (UFMG), do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Além destas instituições, participam dos estudos o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), em Belo Horizonte (MG), o Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste, em Recife (PE), o Instituto de Energia Nuclear (IEN), no Rio de Janeiro, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo, e o Instituto Militar de Engenharia (IME), também no Rio.

Os pesquisadores trabalharão nas instituições de origem. Os líderes das linhas de pesquisa e representantes das instituições se reunirão periodicamente e, pelo menos uma vez por ano, haverá encontro de todos para apresentação dos resultados parciais das pesquisas realizadas.

Nos três anos iniciais do projeto serão investidos R$ 2,4 milhões, mas outros recursos serão alocados em função da contrapartida das instituições participantes e de financiamentos das empresas do setor nuclear.

No geral, os pesquisadores buscam um conjunto de tecnologias inovadoras em quatro reatores nucleares: ADS - Accelerator Driven System - Reator Guiado por Aceleradores de Partículas; PWR - Pressurized Water Reactor - Reator a Água Pressurizada; Iris - International Reactor Innovative and Secure - Reator Internacional Inovador e Seguro; e o VHTR - Very High Temperature Reactor - Reator de Temperatura Muito Alta.

As informações são do Ministério da Ciência e Tecnologia.


Fonte: Site do JB Online

Comentário: Esse é mais um exemplo do investimento que o governo do presidente Lula vem fazendo na área de ciência e tecnologia no país. Certamente no futuro esse investimento gerará grandes benefícios a nossa sociedade e ao conhecimento humano.

Programa do Submarino Nuclear Brasileiro


Segue abaixo uma coletânea de vídeos que abordam o projeto do Submarino Nuclear Brasileiro em diversas épocas para que o leitor possa fazer uma cronologia dos acontecimentos e do desenvolvimento até os dias de hoje desse programa da Marinha do Brasil.

Duda Falcão


Submarino Nuclear Brasileiro - Programa Goulart de Andrade - 1994


Submarino Nuclear do Brasil - Programa Jornal da Globo - 20-10-2004


Submarino de Propulsão Nuclear Brasileiro - Programa Bom Dia Brasil - 29-09-2008


Fonte: Site do Youtube

Comentário: Como o leitor mesmo pôde notar, de 1994 a 2008 o desenvolvimento do submarino ficou quase que estacionado não havendo grandes avanços. No entanto, a partir de 2008 já no segundo governo do presidente Lula o programa vem ganhando apoio (inclusive com um acordo assinado com os franceses para a transferência de tecnologia do casco do submarino) e se espera que seja finalmente concluído em 12 anos.

Novo Laboratório de Luz Síncrotron


Brasil vai Ganhar seu Segundo Acelerador
de Partículas de Grandes Proporções



13/01/2009 - 09h00

Por Lilian Ferreira
do UOL Tecnologia
Em São Paulo

Um dos acontecimentos mais esperados pelos cientistas para este ano é o funcionamento do LHC (sigla em inglês para Grande Colisor de Hádrons), um acelerador de partículas gigante que será usado para simular as condições do Big Bang. Pouca gente sabe, mas o Brasil também possui um acelerador de partículas de grandes proporções (embora bem menor que o LHC), e já deu início ao desenvolvimento de uma segunda máquina.

O LHC, localizado no CERN (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear), será usado para estimular o choque entre pequenas partículas atômicas: os prótons (veja como funciona o LHC). O objetivo é analisar detritos resultantes da colisão de feixes de hádrons (partículas compostas) para entender a natureza mais íntima da matéria. Os primeiros testes, iniciados em setembro do ano passado, tiveram que ser interrompidos e a máquina gigante só deve ser reativada no segundo semestre deste ano.

Já o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), o acelerador de partículas brasileiro, possui objetivos e funcionamento diferentes. No laboratório, inaugurado há 11 anos em Campinas (SP), elétrons (outra partícula elementar dos átomos) são acelerados e percorrem uma trajetória circular. O objetivo é obter a luz proveniente da aceleração destas partículas, conhecida como luz síncrotron, que possui um amplo espectro (desde o infravermelho até os raios-X).

Ao contrário do LHC, que acelera prótons, o LNLS acelera elétrons. Justamente por serem mais leves que os prótons, os elétrons, ao terem sua trajetória curvada, geram luz síncrotron muito intensa e, portanto, perdem energia. Os prótons também emitem luz síncrotron nessa situação, mas em quantidade menor que os elétrons, o que facilita a geração da alta quantidade de energia necessária para operar os anéis colisores como o LHC. Ou seja: se a luz síncrotron é a razão da existência do LNLS, ela representa uma inconveniência para anéis como o do LHC.



O QUE É LUZ SÍNCROTRON?

A luz síncrotron é uma radiação eletromagnética (luz) intensa que contém quatro faixas do espectro eletromagnético: a luz vísivel e os raios-x, ultravioletas e infravermelhos. Ela é emitida por elétrons de alta energia que circulam em um acelerador de partículas.

O nome dessa luz é uma referência ao equipamento que a produz, a saber, a fonte de luz síncrotron. Ela é usada pelos cientistas para "enxergar" as características dos materiais nos níveis moleculares e atômicos.



Com a luz produzida pelo acelerador de partículas brasileiro, pesquisadores de diversas áreas podem "enxergar" as características dos materiais com seus átomos e moléculas. "Ao iluminar amostras, é possível ver como a luz reage em diferentes materiais. Em amostras orgânicas, como proteínas, dá para ver a geometria dos átomos e onde eles se localizam pela maneira como a luz é difratada. Assim, é possível, por exemplo, definir informações sobre como a proteína funciona e qual seu papel metabólico", explica Pedro Tavares, diretor da Divisão de Aceleradores e Instrumentação do LNLS.

Agora, o laboratório pretende construir uma segunda fonte de luz síncrotron, o LNLS-2. O Ministério da Ciência e Tecnologia liberou R$ 2 milhões, no fim do ano passado, para o início das pesquisas para a nova fonte, que deve ficar pronta em 10 anos. Ela será maior (cerca de 350 metros de extensão) e capaz de produzir luz dezenas de milhões de vezes mais brilhante que a fonte do LNLS-1.

O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron

O LNLS foi o primeiro laboratório do tipo instalado no hemisfério sul e é, ainda hoje, o único da América Latina. Sua fonte de luz síncrotron foi totalmente desenvolvida por pesquisadores brasileiros entre 1987 e 1997, quando começou a operar. Os investimentos na construção foram de U$ 70 milhões, dos quais 85% gastos em equipamentos projetados e executados no próprio laboratório.

Aberto a usuários de todo o Brasil e do mundo, o LNLS funciona 24 horas por dia, de segunda a sábado. Propostas de utilização das suas instalações podem ser submetidas duas vezes ao ano. Anualmente, cerca de 1600 pesquisadores passam pelo laboratório, sendo 15% estrangeiros.


Fonte: Site UOL

Comentário: Grande notícia para ciência e tecnologia brasileira. Certamente se esse novo Laboratório sair será de grande valia para a comunidade cientifica e consequentemente para sociedade brasileira. Realmente não posso deixar de notar o esforço do governo de Lula em investir em ciência e tecnologia nesse país. Pena que no caso da tecnologia espacial ainda deixa muito a desejar.

O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron - LNLS


O Acelaredor de Particulas do Laboratório


A idéia de construir um Laboratório Nacional de Luz Síncrotron começou a ser discutida no Brasil em 1981. A decisão de sua construção foi tomada em 1986 e os trabalhos tiveram início em 1987. As principais motivações que levaram a essa decisão foram:

a) o desenvolvimento de um projeto de engenharia desafiador, de porte, capaz de atrair uma massa crítica de jovens pesquisadores e engenheiros para serem treinados em tecnologias-chave, acelerando o desenvolvimento desses campos no país;

b) a construção de uma instalação experimental que pudesse oferecer condições de excelência para uma grande variedade de pesquisadores, incluindo físicos, químicos, biólogos, cristalógrafos, bem como usuários dos setores de saúde e industrial;

c) a introdução do conceito de laboratório nacional, oferecendo instalações de acesso aberto para serem utilizadas por pesquisadores de outras instituições, com um pequeno número de pesquisadores na casa produzindo resultados científicos de alta qualidade, mantendo assim as instalações atualizadas.

Essas motivações tiveram por base a percepção da necessidade urgente de desenvolver tecnologicamente o país. Portanto, o foco era ter um projeto de forte componente tecnológico que pudesse atrair alguns dos jovens mais promissores e a percepção da evolução científica, exigindo cada vez mais equipamentos de grande porte para sua realização, além de um novo formato na organização dos laboratórios científicos.

A concentração de recursos num laboratório nacional, aberto e multiusuário, permite o desenvolvimento de um centro de pesquisa competitivo internacionalmente nas técnicas experimentais mais modernas, ao mesmo tempo em que, quando realizada sua vocação de laboratório nacional na sua plenitude, descentraliza a ciência e tecnologia do país. Dessa forma, pesquisadores de todas as instituições podem ter acesso a instalações experimentais de grande porte e sofisticadas para o desenvolvimento de seus projetos científicos e tecnológicos.

A primeira fase do desenvolvimento do LNLS começou em 1987, quando teve início a construção da fonte de luz síncrotron, e foi concluída em 1997, com sua inauguração e início dos trabalhos científicos pelos usuários nas primeiras linhas de luz construídas. Essa fase, caracterizada pela bem sucedida construção da fonte de luz síncrotron, permite que o Brasil, hoje, domine vários aspectos da tecnologia de aceleradores de partículas, incluindo a obtenção de ultra-alto vácuo, mecânica de precisão, geodesia industrial, controle e automação, entre outras tecnologias.

A segunda fase do LNLS pode ser identificada como a etapa de sua consolidação como um laboratório de pesquisa científica e tecnológica, de caráter nacional, aberto, multiusuário e multidisciplinar. Essa fase se identifica com o período que começa com a inauguração do laboratório e se prolonga, simbolicamente, até 2004, quando o LNLS atinge a marca de 1000 usuários por ano. Na verdade, começa no período de sua construção e é um processo permanente. A formação e o treinamento dos usuários em novas técnicas experimentais de aplicação de luz síncrotron e o desenvolvimento da cultura de laboratório nacional - portanto, aberto e multiusuário - começa com a construção do laboratório e com as reuniões de usuários sendo realizadas desde 1990.

O LNLS possui, hoje, uma comunidade de usuários significativa e crescente, participativa na vida do laboratório e em seu desenvolvimento. Além disso, é reconhecido como um laboratório nacional pela comunidade científica e tecnológica, realizando pesquisa de alto nível em suas áreas de atuação. O desenvolvimento da cultura e da prática de laboratório nacional, aberto e multiusuário, é um trabalho permanente e cotidiano.

Começa agora sua terceira fase, quando o conceito de laboratório nacional se expande para um complexo laboratorial - capaz de desenvolver pesquisas estratégicas, multi e interdisciplinares. Para isso, é necessário aprimorar as aplicações experimentais e direcionar as principais atividades científicas. Deve-se buscar a especialização nas diversas instalações experimentais, através do desenvolvimento da instrumentação científica e instalação de novos dispositivos experimentais, focando os experimentos na realização de programas científicos diferenciados e que utilizem as especificidades da capacidade instrumental instalada. Finalmente, deve-se buscar o desenvolvimento de projetos científicos ambiciosos, que exijam a capacidade experimental disponível na maior amplitude possível. Em especial, o LNLS deve avaliar a possibilidade e oportunidade de projetar e construir novas fontes de luz síncrotron capazes de ampliar o leque de alternativas experimentais de ponta no LNLS.

O desenvolvimento de áreas estratégicas, associadas às aplicações da luz síncrotron, começou em 1999, com a implantação da microscopia eletrônica e do centro de biologia molecular estrutural. Essas instalações, sempre dentro do conceito de laboratório nacional, multiusuário, ampliam as possibilidades científicas do laboratório e, por conseqüência, da comunidade científica, desenvolvendo, através da sinergia dos laboratórios científicos com as estações experimentais nas linhas de luz, centros capazes de realizar pesquisas de porte, diferenciadas, em áreas estratégicas para o país, oferecendo uma capacidade única para a comunidade científica e tecnológica.

O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) é um centro nacional de Ciência e Tecnologia. Aqui biólogos, químicos, físicos e engenheiros de materiais encontram a adequada infra-estrutura de equipamentos para realizar pesquisas em materiais.

O Governo Federal, por intermédio do Ministério da Ciência e Tecnologia, investe anualmente 12 milhões de reais no LNLS, de acordo com Contrato de Gestão assinado com a Organização Social que gerencia o Laboratório: a Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ATBLuS).

Em resumo, o LNLS tem as seguintes características:

* Dispõe de equipamentos científicos de grande porte, utilizados de forma partilhada por cientistas;

* É aberto a pesquisadores de instituições externas, pois é um laboratório nacional;

- Dispõe de um quadro próprio de cientistas e tecnólogos, cujas funções são:
- Desenvolver instrumentação científica;
- Realizar projetos de pesquisa;

* Auxiliar usuários externos na preparação e realização de experimentos.
Organiza cursos, workshops, treinamentos em técnicas, métodos e processos de pesquisa com luz síncrotron, microscopia eletrônica, microfabricação de dispositivos, microlitrografia aplicada à microeletrônica e inúmeros temas correlatos;

* Desenvolve programas regulares de capacitação de recursos humanos, voltados para estudantes de nível médio, nível superior, doutorandos e pós-doutorandos.


Fonte: Laboratório Nacional de Luz Síncrotron - LNLS