sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cientistas Brasileiros são Premiados nos EUA

Segue abaixo uma nota postada hoje no site da Agência FAPESP sobre os prêmios concedidos a brasileiros pela Fundação de Pesquisa Gravitacional, dos Estados Unidos por artigos científicos considerados importantes sobre temas relacionados à gravidade e à gravitação.

Duda Falcão

Gravitação Brasileira

29/5/2009

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Há exatos 60 anos a Fundação de Pesquisa Gravitacional, nos Estados Unidos, premia autores de artigos científicos considerados importantes sobre temas relacionados à gravidade e à gravitação. Mas em nenhuma edição do prêmio os brasileiros estiveram tão presentes quanto na deste ano, tendo levado um segundo lugar e sete menções honrosas.

O prêmio já foi concedido a cientistas como Stephen Hawking, da Universidade de Cambridge (Inglaterra), Roger Penrose, da Universidade de Oxford (Inglaterra), e George Smoot, da Universidade da Califórnia em Berkeley (Estados Unidos), que em 2006 ganharia também o Nobel de Física.

Na edição de 2009, Saulo Carneiro, da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Queen Mary de Londres (Inglaterra), ficou com o segundo lugar do prêmio, com o artigo On vacuum density, the initial singularity and dark energy.

Odylio Aguiar, do lnstituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), coordenador do Projeto Temático “Nova física no espaço: ondas gravitacionais”, apoiado pela FAPESP, recebeu menção honrosa pelo artigo Broadband resonant mass gravitational wave detection, do qual é o primeiro autor.

O mesmo artigo rendeu menções honrosas também a Guilherme Pimentel, da Universidade de Princeton (Estados Unidos) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Joaquim Barroso, do Inpe, e Rubens Marinho Jr., do ITA.

Orfeu Bertolami, do Instituto Superior Técnico, de Portugal – país onde o brasileiro vive desde 1989 –, ganhou menção honrosa pelo artigo The cosmological constant problem: a user's guide. Ivano Damião Soares e Rodrigo Maier, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), ganharam menção com o texto An answer to the main black hole pathology: forming nonsingular black holes from dust collapse.

“É um prêmio muito tradicional e o feito do professor Saulo Carneiro é muito importante. O fato de termos tantos brasileiros recebendo menções honrosas é bastante significativo e demonstra algo que já percebíamos: a produção científica brasileira está crescendo muito na área de gravitação e gravidade”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Aguiar, o artigo submetido por seu grupo, que rendeu as quatro menções honrosas, surgiu a partir de uma idéia do australiano Michael Tobar – o único autor não brasileiro do artigo – e foi desenvolvido na dissertação de mestrado de Pimentel.

“A idéia surgiu há cerca de três anos, mas estávamos esperando um bom aluno que pudesse explorá-la. Guilherme, um aluno brilhante que agora está fazendo o doutorado em Princeton, conseguiu torná-la realidade”, afirmou.

De acordo com o professor, o trabalho está relacionado ao detector de ondas gravitacionais brasileiro: o Detector Mario Schenberg, localizado no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, o detector já entrou em operação, embora ainda não obtenha dados científicos.

“Esse trabalho busca fazer com que o detector seja competitivo em relação aos interferômetros laser, que têm banda mais larga. O detector, embora tenha banda mais reduzida, é mais barato e seria capaz de determinar a direção e a polarização da onda – isto é, a maneira como a onda deforma o espaço-tempo”, explicou.

Enquanto a banda dos interferômetros varia entre limites mínimos de 10 a 50 hertz e máximos de 1 a 2 quilohertz – dependendo do equipamento –, o detector possui uma banda mais estreita, que varia apenas 50 hertz.

“Nossa proposta tem o objetivo de modificar isso. Com uma troca do sensor, o detector brasileiro seria capacitado a ter uma banda que iria de 2 quilohertz a 10 quilohertz, tornando-se competitivo com os interferômetros sem perder a capacidade de determinar a direção e a polarização da onda”, disse.

O Projeto Temático, segundo Aguiar, apoia o aperfeiçoamento do detector brasileiro. “Para isso tentamos atingir temperaturas menores e sensores melhores, para que possamos chegar à sensibilidade projetada”, disse.

As ondas gravitacionais têm amplitude um milhão de vezes menor que o diâmetro de um próton. “Como a onda chega à Terra com amplitude muito pequena, é um imenso problema tecnológico detectá-la e passar a captá-la com regularidade para fazer observações. Mas, se isso for feito, abriremos uma nova janela para o Universo, descrevendo fenômenos que não emitem ondas eletromagnéticas suficientemente significativas para serem observadas”, disse.

Por ser tão minúscula, a onda em si não pode ser medida. Por conta disso, experimentos como o feito na USP tentam detectar alterações da energia interna de corpos massivos a baixíssimas temperaturas confinados em um sistema no laboratório.

“Medimos o efeito provocado pela emissão da onda. O que conseguimos é uma prova indireta de sua presença, demonstrando que a energia e o momentum angular do sistema estão sofrendo perdas”, disse.


Fonte: Site da Agência FAPESP

Comentário. Grande noticia para a Ciência Brasileira. Parabéns a todos pesquisadores e em especial ao meu conterrâneo Saulo Carneiro da Universidade Federal da Bahia.

Projeto Gráviton

Segue abaixo uma nota postada em setembro de 2006 no site do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) sobre o primeiro experimento de gravitação brasileiro - Projeto Gráviton.

Duda Falcão

INPE Participa do Primeiro Detector Nacional de Ondas Gravitacionais

25/09/2006

O primeiro experimento de gravitação brasileiro entrou em operação neste mês de setembro no Instituto de Física da USP, em São Paulo. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) participa do Projeto Gráviton junto com outras quatro instituições - USP, ITA, UNICAMP e CEFET-SP. O detector de ondas gravitacionais Mario Schenberg permitirá o estudo de fenômenos astrofísicos que não podem ser observados através de outras ondas ou partículas. E uma das chaves para a compreensão da origem do Universo pode estar na observação das fontes emissoras de radiação no espectro gravitacional. Vários países estão buscando a primeira detecção de ondas gravitacionais, e agora o Brasil faz parte desta empreitada.

Os pesquisadores brasileiros desenvolveram a tecnologia para a construção do telessensor esferoidal (antena esférica), que foi batizado de Mario Schenberg em homenagem a um dos pioneiros da Física Teórica e da Astrofísica moderna no Brasil, que no início da década de 40 trabalhou nos Estados Unidos ao lado de George Gamow e Subramanyan Chandrasekhar. O detector servirá ao estudo da emissão de ondas gravitacionais por fontes astrofísicas - buracos negros e estrelas de nêutrons.

“Entre os dias 8 e 13 de setembro, coletamos e gravamos os dados de três sensores deste experimento. Essa primeira ‘corrida’ de 120 horas é a primeira do detector, que, dessa forma, inaugurou a sua fase comissionária, na qual serão feitos ajustes e melhorias para passar a funcionar como um detector competitivo”, explica Odylio Aguiar, pesquisador do INPE que lidera o Projeto Gráviton junto com Nei de Oliveira Junior, da USP.Os sinais gravitacionais de objetos astrofísicos abrem uma nova janela no estudo da Física e da Cosmologia: a Astronomia Gravitacional. A construção do detector de ondas gravitacionais Mario Schenberg fomenta o conhecimento tecnológico nas áreas de criogenia, vácuo, transdutores a baixo ruído, supercondutividade e isolamento vibracional, entres outras, favorecendo a formação de novos especialistas nestes campos.Mais informações sobre o projeto Gráviton e o que são ondas gravitacionais no site www.das.inpe.br/~graviton.As fotos mostram a antena esférica de ondas gravitacionais e detalhes do seu cabeamento, que envia e recebe o sinal do sensor/transdutor através de pequenas antenas sintonizadas na frequência de microondas.






Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE

Comentário: Parabéns ao INPE e aos órgãos envolvidos com esse projeto de ponta. Esta acompanhado o que se faz em física de ponta no mundo é necessário e estratégico para o país e o Projeto Gráviton é um grande exemplo disso.

Acidente em Angra 2

MPF Vai Apurar Contaminação em Angra 2


Prefeito Questiona Forma de Divulgar o Caso; Comissão Descarta Risco



Felipe Werneck


O Ministério Público Federal em Angra dos Reis (RJ) instaurou ontem inquérito civil para apurar evento não usual ocorrido há 13 dias na Usina de Angra 2 que resultou na contaminação - oficialmente afastada - de quatro funcionários com material radioativo. Os procuradores pediram esclarecimentos à Eletronuclear, à Comissão Nacional de Energia nuclear (Cnen), ao Ibama e à Defesa Civil.

Segundo a Cnen, a contaminação já foi removida e o problema não trouxe consequência aos funcionários, à população e ao meio ambiente. O prefeito de Angra, Tuca Jordão (PMDB), afirmou que a Cnen omitiu a informação de que quatro pessoas haviam sido contaminadas no primeiro comunicado sobre o fato, feito por telefone, às 17h35 do dia 15, 1 hora e 20 minutos após o problema ter sido constatado. Segundo ele, foi informado apenas que havia ocorrido um "alarme de taxa de atividade alta na chaminé de descarga de gases".

Jordão disse que pedirá na reunião do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro mudança na forma de divulgação feita pela Cnen. Segundo ele, os relatórios são vagos. "O que eu quero é transparência total em relação a qualquer evento. Por que não informaram no mesmo dia que houve contaminação de funcionários? Isso mostra que há uma falha no sistema", disse Jordão, que é favorável à construção de Angra 3.

O diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear e presidente interino da Cnen, Laércio Vinhas, afirmou que o procedimento foi correto, mas disse não ter objeção a uma eventual mudança na regra de divulgação dos eventos não usuais. Na escala internacional de eventos nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (que vai de 0 a 7), esses eventos são classificados como de nível 1 (anomalia ou desvio operacional). "O evento não usual foi deflagrado por causa do alarme e não da contaminação. Nosso objetivo é transmitir com objetividade o que acontece e evitar uma falsa interpretação."

Sobre a divulgação com atraso, a responsabilidade é da Eletronuclear, que informou não ser "o procedimento divulgar todos os eventos não usuais" para evitar alarme desnecessário. Disse que, nos últimos anos, foram em média dois casos semelhantes de contaminação de funcionários por mês e que o procedimento usual para descontaminação é a limpeza do corpo com água e sabão.


Fonte: Jornal “O Estado de São Paulo” de 28/05/2009

Acidente em Angra 2

Eletronuclear Não Apresenta os Quatro Funcionários Contaminados


Prefeito de Angra dos Reis Solicita Mudanças no Plano de Emergência das Usinas Nucleares


Taís Mendes e Maria Elisa Alves escrevem para “O Globo”


O acidente com material radioativo na Usina de Angra 2, ocorrido no dia 15 e divulgado somente anteontem, continua cercado de mistérios. Os quatro funcionários contaminados sequer foram apresentados. Em seu site, a Eletronuclear chegou a informar, anteontem, que seis trabalhadores foram monitorados. Nenhum nome foi divulgado pela empresa.

A Prefeitura de Angra informou que foi avisada do acidente uma hora e 20 minutos após o início do problema, mas através de um simples formulário, no item de evento não usual (ENU), e não foi comunicada sobre a contaminação de funcionários.

— A Defesa Civil recebe em média 10 ENUs por ano. São relatos de eventos corriqueiros, como uma queda de energia. Estamos pedindo que eles passem a ser mais detalhados, sem muito linguajar técnico. Como agentes públicos, temos que saber o que está acontecendo nas usinas —reclamou o prefeito de Angra, Tuca Jordão.

Ele pretende pedir, na terça-feira, que o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro faça mudanças no Plano de Emergência das Usinas Nucleares de Angra dos Reis (Sipron) — que envolve órgãos federais, estaduais e municipais. Já o Ministério Público Federal abriu uma investigação e intimou o Ibama, responsável pelo licenciamento da usina, a prestar esclarecimentos em 72 horas.

O subsecretário de Defesa Civil de Angra, José Carlos Lucas Costa, disse que o acidente alertou para uma falha no planejamento para casos de emergência.

Já o professor Achilino Senra, vice-diretor da Coppe e professor de energia nuclear, considerou correto o procedimento adotado pela Eletronuclear e pela Cnen. Segundo ele, o acidente está no nível mais baixo de risco da escala, sem ter oferecido perigo para o meio ambiente e para os moradores: — Se fosse um acidente grave, é claro que a comunicação teria que ser mais rápida.(O Globo, 28/5)


Fonte: Jornal “O GLOBO” de 28/05/2009

Nota da Eletronuclear Sobre Acidente em Angra 2





A Comissão Nacional de Energia Nuclear – Cnen, esclarece que no último dia 15 de maio foi identificado por nossos inspetores residentes, que acompanham diariamente a operação da Usina de Angra 2, o uso inadequado de um procedimento de manutenção de um equipamento no edifício auxiliar (UKA) de Angra 2.

O referido incidente não trouxe conseqüência à população e meio ambiente da região. A Cnen esclarece que comunicou o evento a Prefeitura e a Defesa Civil de Angra dos Reis como acordado com estes órgãos.

Quatro trabalhadores foram contaminados em níveis abaixo de 0,1% dos limites estabelecidos em norma para os trabalhadores. A equipe de proteção radiológica iniciou os trabalhos de descontaminação (como por exemplo: lavagem do corpo, das mãos e uniforme). Em seguida, os trabalhadores passaram pelos portais da área controlada da usina e nenhum alarme foi acionado, ou seja, confirmando-se que a contaminação havia sido removida.

Complementarmente, os especialistas da área de Proteção Radiológica, encaminharam estes trabalhadores para o Centro das Radiações Ionizantes de Mambucaba para exames adicionais. Estes exames confirmaram não haver nenhuma contaminação, garantindo, desta forma, a segurança dos trabalhadores ocupacionalmente expostos. Cabe lembrar que os níveis de radiação a que os trabalhadores foram submetidos estão em cerca de 0,1% do que estipula a norma 3.01 da Cnen.

A liberação ao meio ambiente foi de cerca de 0,2% dos limites estabelecidos pela Cnen. Portanto, não significativa. Logo, o sistema de filtragem de ar que tem como função bloquear a saída de radionuclídeos através da chaminé funcionou adequadamente.

Convém destacar que este evento não usual (ENU) ocorreu dentro do edifício auxiliar de Angra 2, e não no prédio do reator.

Este evento é classificado na escala internacional de eventos nucleares (Ines) da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) como nível 1 (anomalia ou desvio operacional) numa escala que vai de zero até o nível 7.”


Fonte: JC e-mail 3770, de 27 de Maio de 2009

Acidente em Angra 2

Acidente Radioativo na Usina de Angra 2
Contaminou Quatro Funcionários


Problema ocorreu no dia 15, mas só foi divulgado ontem pela Eletronuclear


Carla Rocha e Tulio Brandão escrevem para “O Globo”


Um acidente com material radioativo na Usina de Angra 2, que aconteceu há 11 dias, só foi informado oficialmente nesta terça-feira pela Eletronuclear — empresa que fornece eletricidade gerada a partir de energia nuclear. No dia 15, durante a manutenção de um equipamento — não especificado — quatro funcionários foram contaminados. Eles tiveram que passar por um processo de descontaminação. A causa do acidente teria sido falha humana, levando inclusive ao afastamento de um dos empregados.

A Eletronuclear, de início, falava na contaminação de três pessoas. À tarde, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) divulgou que, na verdade, quatro funcionários haviam sido contaminados em níveis abaixo de 0,1% dos limites estabelecidos pela norma 3.01 da Cnen.

A própria equipe de proteção radiológica da Eletronuclear iniciou a descontaminação, com lavagem do corpo e de uniformes. Em seguida, os funcionários passaram pelos portais da área controlada da usina e nenhum alarme foi acionado, o que confirmaria que a contaminação havia sido removida.

Cnen Diz que Não Houve Danos à Saúde de Funcionários

Apesar disso, eles foram levados para o Centro das Radiações Ionizantes de Mambucaba para exames adicionais, que garantiram não ter havido danos maiores à saúde dos trabalhadores.

De acordo com a Cnen, a liberação no meio ambiente foi de cerca de 0,2% dos limites estabelecidos, graças ao sistema de filtragem de ar que tem como função bloquear a saída de radionuclídeos pela chaminé.

O acidente, classificado de evento não-usual, aconteceu no edifício auxiliar de Angra 2 e não no prédio do reator. Numa escala de zero a 7 da Agência Internacional de Energia Atômica, foi considerado de nível 1 (anomalia ou desvio operacional).

O subsecretário de Defesa Civil de Angra, José Carlos Lucas Costa, afirmou ter sido informado apenas de que não havia risco para a população e para o meio ambiente.

-- Tomei conhecimento pela imprensa. Apenas soube que um funcionário da Eletronuclear estava fazendo manutenção na chaminé da usina e, ao esmerilhar alguma coisa, a limalha de ferro voou e bateu no detector de radiação, disparando o alarme. Mas que não tinha sido nada grave.

O diretor da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, disse que, aparentemente, o acidente não teve consequência grave, mas criticou o fato de a Eletronuclear ter levado tanto tempo para divulgá-lo.

-- Por que só fomos informados onze dias depois? Que equipamento? Que nível de radiação? Acho que a nota divulgada foi muito sumária.

Nadia Valverde, coordenadora da ONG Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sapê), teve acesso às informações apenas depois de contatar a Defesa Civil de Angra, segunda-feira.

-- A principal questão nessa história é a falta de transparência da Eletronuclear. Dez dias depois do evento, a população de Angra só ficou sabendo por causa das ONGs e da imprensa.

O diretor de campanhas do Greenpeace, Sérgio Leitão, disse que “o acidente em Angra 2 serve para ilustrar a incoerência de se ter no Brasil um mesmo órgão (a Cnen) responsável pela promoção e fiscalização da energia nuclear no país”. E lamentou a demora na divulgação: “É a prova clara de que o setor nuclear no Brasil é cercado de mistério, graças à sua herança militar.”(O Globo, 27/5)


Fonte: Jornal “O GLOBO” de 27/05/2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Programa do Submarino Nuclear Brasileiro

Segue abaixo uma matéria publicada no site do Jornal da Ciência da SBPC em 25/05/2009 sobre o programa do Submarino Nuclear da Marinha.

Duda Falcão


Construção de Submarinos Consumirá R$ 17,6 Bilhões


25/05/2009



Plano do Acordo Brasil-França Prevê Construção do Casco do 1.º Nuclear


O comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Mora Neto, informou na sexta-feira, dia 22, que o pacote de construção de quatro novos submarinos convencionais (o que inclui um novo estaleiro e uma nova base) e do casco do primeiro submarino nuclear brasileiro vai consumir R$ 17,6 bilhões.

Este é o valor do financiamento, previsto no acordo assinado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, que o Brasil negocia na França. O pacote integra o acordo de cooperação militar firmado entre os dois países no ano passado - os submarinos convencionais serão adaptados do modelo francês Scorpène.

Como o Estado informou no domingo, dia 17, a Força já encontrou na Baía de Sepetiba, no litoral Sul do Rio, o terreno para o novo complexo naval, mas o início da obra depende da liberação do financiamento. Os trabalhos ficarão a cargo de um consórcio formado pela estatal francesa DCNS e a brasileira Odebrecht.

O comandante da Marinha espera que o acordo com o consórcio de bancos estrangeiros liderado pelo francês BNP Paribas, uma das maiores instituições financeiras da Europa, esteja concluído até o dia 7 de setembro, quando Sarkozy voltará ao Brasil para as comemorações da Independência no Ano da França no Brasil.

É o que falta para a validação do convênio e a largada para a construção do submarino nuclear, que poderá sair do estaleiro em 12 anos.

"O acordo estratégico só entra em vigor quando houver dinheiro", disse o comandante, depois de dar uma palestra num evento da Confederação Nacional de Jovens Empresários na Associação Comercial do Rio.

Apesar de o convênio ter sido assinado em dezembro, ele atribui a demora aos trâmites normais. Ainda estão em discussão detalhes do financiamento, como a forma de pagamento. O Brasil pode ter uma carência de cinco anos para começar a pagar o empréstimo num prazo de 15 anos. "É mais ou menos isso, mas ainda é um dos pontos que estamos discutindo", afirmou.

O comandante da Marinha também estimou o volume de recursos necessários para concluir os testes do reator nuclear e a finalização da planta industrial que vai completar o ciclo de enriquecimento e conversão do urânio e obtenção do combustível nuclear, tecnologias que a Força já domina.

Segundo Moura Neto, é preciso investir mais R$ 1,04 bilhão nessa vertente do projeto, cerca de R$ 130 milhões por ano, até 2014. Desde 1979, entre atrasos e cortes de verba, o programa nuclear brasileiro já consumiu US$ 1,2 bilhão.

Estratégia

Os R$ 17,6 bilhões da construção dos submarinos são apenas parte da conta de R$ 23,4 bilhões que Moura Neto deixará na mesa do ministro da Defesa, Nelson Jobim, até o próximo dia 29. É quando termina o prazo para que os três comandantes militares entreguem o inventário de projetos para reequipar as Forças Armadas, seguindo as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, traçada em 2008.

No caso da Marinha, a cifra citada por Moura Neto estima apenas os investimentos da primeira etapa, entre 2009 e 2014. O plano de reaparelhamento da Marinha listará metas até 2031, como a nacionalização da construção de navios de guerra e o desenvolvimento de um míssil nacional.(Alexandre Rodrigues)

Programa Nuclear Prevê Três Submarinos

O programa do submarino nuclear prevê uma frota mínima de três navios a longo prazo – a meta de referência é o ano 2035, segundo oficiais da Marinha ouvidos ontem pelo Estado. A previsão é de que a primeira unidade entre em operação por volta de 2020. O empreendimento recebe R$ 130 milhões ao ano.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, acha o projeto “essencial à garantia da riqueza nacional que se encontra no Atlântico”. Para ele, “não é possível pensar em proteção exclusivamente com navios de superfície, plataformas de fácil localização”. Jobim lembra que, antes da embarcação de propulsão nuclear, “serão construídos quatro submarinos convencionais, de diesel-elétricos”.

A frota nuclear será formada por navios de 96 metros, 4 mil toneladas de deslocamento submerso e 17,8 metros de altura máxima – o equivalente a um prédio de sete andares, no ponto onde fica a vela, a torre que abriga antenas e os sistemas óticos; o periscópio, por exemplo.

Para os engenheiros navais brasileiros, trata-se de aprender todo um novo conceito, a começar do desenho. O quadro de bordo do submarino nuclear será formado por 100 tripulantes, acomodados em um tubo de aço de 9,80 metros de diâmetro. Dentro dele dividirão o limitado espaço com equipamentos e os sistemas – rede elétrica, condutos hidráulicos, computadores, torpedos, mísseis e, claro, um reator nuclear ativo.

O tempo de permanência sob a água é indefinido, calculado em ciclos de 30 dias. Para reduzir o estresse de corrente do confinamento, os especialistas procuram dar ao arranjo interno do navio referências da dimensão humana. Não significa muito.

Na embarcação especificada pela Marinha, o efeito será percebido nos beliches, levemente mais amplos que o modelo adotado nos submarinos convencionais, menores e mais leves, ou no refeitório, também usado como cinema. Outro cuidado: cardápio variado, comida saborosa e de qualidade, servida dia e noite.

O submarino atômico implica segredos. Um deles, ligado ao projeto, é o da tecnologia do eixo que leva movimento às hélices. O problema é limitar ruído e vibração. Empregando um conceito derivado da construção de ultracentrífugas nacionais, empregadas no enriquecimento do urânio usado como combustível de reatores, o eixo de 80 metros será magnético, funcionando sem barulho nem atrito.(Roberto Godoy) (O Estado de SP, 23/5)


Fonte: JC e-mail 3768, de 25 de Maio de 2009

Comentário: Hummm, teremos de aguardar pra vê. Não sei não, isso esta me parecendo um programa megalomaníaco. Vamos aguardar.